A infraestrutura digital brasileira já não depende apenas das grandes operadoras de telecomunicações e das empresas globais de tecnologia. Atualmente, cooperativas também avançam nesse mercado ao compartilhar investimentos, recursos técnicos e conhecimento para oferecer conectividade e serviços digitais em diferentes regiões do país.
O movimento ocorre em um momento de expansão do cooperativismo. De acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, do Sistema OCB, o Brasil reúne 4,4 mil cooperativas e 29 milhões de cooperados. Os dados têm como referência 31 de dezembro de 2025.
Fibra óptica domina a banda larga fixa
A participação das cooperativas na infraestrutura digital acompanha a expansão das redes de fibra óptica e dos provedores regionais de internet. Assim, esses operadores contribuem, principalmente, para levar conectividade às cidades médias, bem como a pequenos municípios e localidades pouo desenvolvidas economicamente ou com problemas geográficos que dificultam a instalação de redes.
Segundo o Relatório de Monitoramento da Competição do segundo trimestre de 2026, publicado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil alcançou 55,4 milhões de acessos à banda larga fixa.
A fibra óptica, por sua vez, respondeu por mais de 80% desse mercado, com 44,7 milhões de acessos. Entretanto, a agência identificou maior concentração da oferta nos municípios com menos de 30 mil habitantes. As três maiores prestadoras concentram de 90% a 100% do mercado de banda larga fixa em 3.482 cidades.
Nesse cenário, cooperativas e provedores de menor porte podem desempenhar um papel estratégico na diversificação da oferta, especialmente em regiões menos atendidas pelas grandes empresas.
Intercooperação amplia capacidade de investimento
Para Igor Sigiani, diretor-presidente da Coopercompany, a construção da infraestrutura digital depende cada vez mais da colaboração entre diferentes organizações.
“A infraestrutura digital deixou de ser construída apenas por grandes empresas. Hoje, ela também cresce por meio de organizações que compartilham recursos, conhecimento e investimentos. O cooperativismo mostra que é possível expandir serviços essenciais, mantendo o desenvolvimento próximo das comunidades e dos próprios cooperados”, afirma.
A Coopercompany atua com soluções de telefonia móvel, banda larga, tecnologia e energia renovável. Segundo informações divulgadas pela própria organização, a cooperativa reúne mais de 18 mil cooperados em diferentes regiões do Brasil.
De acordo com Sigiani, a intercooperação permite que organizações somem competências, dividam estruturas e ampliem a capacidade de realizar novos investimentos.
“Quando cooperativas trabalham juntas, elas conseguem desenvolver soluções que dificilmente seriam viáveis de forma isolada. Isso fortalece toda a cadeia, amplia a oferta de serviços e acelera a transformação digital em diferentes regiões do país”, explica.
Cooperativas avançam em novos serviços digitais
Além da conectividade, o modelo cooperativista começa a ocupar áreas como computação em nuvem, cibersegurança, energia compartilhada, Internet das Coisas, automação e prestação de serviços digitais.
Ao mesmo tempo, a expansão da fibra óptica oferece suporte para atividades que exigem redes mais rápidas e estáveis. Entre elas estão as aplicações de inteligência artificial, a automação industrial, as cidades inteligentes, a telemedicina e os serviços públicos digitais.
No entanto, o avanço depende de investimentos, escala, segurança tecnológica e capacidade de integração entre os participantes. Por isso, a intercooperação pode ajudar a viabilizar projetos que seriam mais difíceis ou caros para uma organização desenvolver isoladamente.
Para Sigiani, a descentralização da infraestrutura será uma das características da transformação digital nos próximos anos.
“A infraestrutura do futuro será cada vez mais distribuída. Não existe transformação digital sem conectividade, e não existe conectividade sustentável quando ela fica concentrada em poucos agentes. O cooperativismo tem mostrado que colaboração também é uma estratégia de inovação”, conclui.
O que são cooperativas de infraestrutura digital?
São organizações de pessoas ou empresas que se unem para contratar, desenvolver ou compartilhar serviços de telecomunicações, tecnologia, conectividade e outras estruturas essenciais. Os cooperados participam do negócio e podem dividir custos, investimentos, benefícios e resultados.
Como as cooperativas podem ampliar a conectividade?
As cooperativas podem reunir demanda, compartilhar redes e equipamentos, negociar serviços em conjunto e direcionar investimentos para localidades pouco atendidas. Dessa forma, o modelo pode complementar a atuação das operadoras tradicionais e dos provedores regionais.






















