O Plano Nacional de Turismo Cooperativo foi lançado na Paraíba, em 2026, com a proposta de inserir as cooperativas na cadeia do turismo brasileiro. Desenvolvida pelo Sistema OCB, a iniciativa pretende transformar produtos, atividades, histórias e territórios cooperativistas em experiências capazes de atrair visitantes e gerar renda nas comunidades.
A Casa Cooperativa, de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, participou da programação representada pelo colaborador Felipe Moura. Durante a visita, ele acompanhou roteiros e avaliou serviços de receptivo, hospedagem e alimentação, além de conhecer experiências de cooperativas paraibanas da agricultura familiar, do transporte e do artesanato.
A proposta parte do potencial econômico e social de um movimento que reúne quase 30 milhões de cooperados no Brasil. Como as cooperativas atuam em áreas diversas, muitas delas podem receber visitantes interessados em conhecer sistemas de produção, produtos regionais, manifestações culturais, histórias comunitárias e modelos coletivos de organização.
Plano trabalha com oferta e demanda turística
O Plano Nacional de Turismo Cooperativo prevê atuação em duas frentes. A primeira trata as cooperativas como parte da oferta turística. Nesse caso, uma organização pode se tornar ponto de visitação por causa de sua história, de seus produtos, de sua forma de produção ou da relação construída com a comunidade.
A segunda frente busca aproveitar o próprio cooperativismo como gerador de demanda. Cooperativas de transporte e organizações com estrutura operacional, por exemplo, podem criar roteiros e levar grupos de cooperados para visitar outras iniciativas cooperativistas.
Com isso, o plano estimula a intercooperação, pois conecta organizações de diferentes atividades. Uma rota pode reunir transporte, hospedagem, alimentação, agricultura familiar, artesanato e produção cultural, ampliando a circulação de recursos entre cooperativas e comunidades.
Estratégia está organizada em três pilares
O primeiro pilar do plano reconhece o cooperativismo como produto e mercado turístico. O objetivo é identificar cooperativas com potencial para receber visitantes e aproximá-las de pessoas interessadas em viagens ligadas à cultura, à produção local e ao desenvolvimento comunitário.
O segundo pilar é a capacitação. Para integrar um roteiro turístico, a cooperativa precisa oferecer estrutura, atendimento, segurança, organização e uma experiência adequada aos visitantes. Portanto, ter uma história relevante ou um produto diferenciado não basta.
Por fim, o terceiro pilar envolve a captação de recursos. A estratégia prevê a busca por parcerias, financiamentos e ferramentas de divulgação para ajudar as cooperativas a estruturarem seus atrativos e alcançarem o mercado.
Cooptur contribuiu para a elaboração do plano
A formulação da iniciativa contou com a experiência da Cooptur, cooperativa paranaense que atua há cerca de duas décadas no turismo. O Sistema OCB procurou a organização para colaborar com o desenho de uma estratégia de alcance nacional.
A experiência acumulada pela Cooptur demonstra que o turismo cooperativo pode integrar diferentes empreendimentos em um mesmo roteiro. Além de gerar receitas para as organizações envolvidas, esse modelo pode valorizar a identidade regional e manter uma parcela maior dos recursos nas comunidades visitadas.
Paraíba reúne experiências de diferentes setores
A Paraíba foi escolhida para sediar o lançamento sobretudo por reunir atrativos geográficos, experiências cooperativistas e organizações de diferentes atividades. Durante a programação, cooperativas de agricultura familiar, artesanato e transporte trabalharam de forma integrada para receber os participantes.
A operação local contou com a cooperativa Extremo, originalmente ligada ao transporte e preparada para desenvolver roteiros turísticos. A participação demonstra como uma cooperativa pode ampliar sua atuação e conectar produtores, artesãos, prestadores de serviços e visitantes.
Serra Gaúcha pode desenvolver novos roteiros
Mas para a Casa Cooperativa, a experiência paraibana pode servir de referência para a criação de novos roteiros na Serra Gaúcha. A região abriga Nova Petrópolis, município ligado à história do cooperativismo de crédito no Brasil e que já recebe visitantes interessados no patrimônio cooperativista.
Felipe Moura acompanhou o funcionamento do roteiro paraibano e observou aspectos como deslocamento, recepção, hotelaria e alimentação. O conhecimento reunido poderá ajudar a Casa Cooperativa a avaliar novas experiências turísticas relacionadas à história, à cultura e ao modelo cooperativista na Serra Gaúcha.
Assim, o Plano Nacional de Turismo Cooperativo abre uma nova frente de negócios para o setor. Além de promover viagens com conteúdo histórico e social, a iniciativa pode fortalecer a intercooperação, diversificar receitas e estimular o desenvolvimento regional.






















