Ser cooperativista vai muito além de participar de uma cooperativa. É acreditar em uma forma de convivência baseada em união, ajuda mútua, solidariedade, honestidade, participação democrática e construção coletiva. Desde Rochdale, esses princípios atravessam gerações porque colocam as pessoas e o bem comum no centro das decisões.
E aqui cabe uma reflexão: Se defendemos esses valores em nossas cooperativas, por que não os levar também para nossa condição de cidadãos e eleitores?
No cooperativismo aprendemos que antagonismos permanentes, egoísmos, rivalidades irracionais e decisões movidas apenas pela emoção dificilmente constroem organizações sustentáveis. Precisamos de diálogo, confiança, integridade, transparência, respeito às diferenças e compromisso com o coletivo.
Esses valores também nos convidam a olhar para questões concretas da sociedade. Eis aqui alguns exemplos: combater o etarismo é reconhecer que idade não retira dignidade, capacidade ou direito de participação; repudiar a violência contra mulheres e crianças é defender o respeito à vida e à integridade humana; e enfrentar práticas que estimulam o endividamento abusivo é compreender que inclusão financeira deve caminhar junto com educação, responsabilidade e proteção da dignidade das pessoas.
Da mesma forma, uma sociedade com espírito cooperativista deveria respeitar a liberdade religiosa. Cada pessoa tem o direito de professar sua fé, não professar nenhuma ou seguir suas próprias convicções. Respeitar a religião do outro é diferente de querer impor-lhe a nossa. Cooperação pressupõe convivência entre diferentes.
Na política não deveria ser diferente. Eleição não é campeonato de futebol, em que se escolhe uma camisa e tudo do nosso lado passa a ser defendido enquanto tudo do outro precisa ser combatido. Democracia exige mais reflexão e menos torcida.
O voto é individual, mas suas consequências são coletivas. Por isso, vale olhar além de slogans, vídeos virais e disputas nas redes sociais. Examinar propostas, trajetórias e compromissos; verificar informações; e observar como cada candidatura se posiciona diante da verdade, das leis, das instituições, da dignidade humana e dos problemas que afetam a sociedade.
Talvez o cooperativismo tenha algo importante a ensinar à democracia: diferenças não precisam transformar pessoas em inimigas, e ninguém constrói prosperidade duradoura sozinho.
Na hora do voto, uma pergunta pode nos ajudar a refletir: minha escolha está coerente com os valores que defendo e contribui para uma sociedade mais justa, cooperativa, solidária, respeitosa e próspera para todos?
Os valores cooperativistas não terminam na porta da cooperativa, mas podem servir como referências para a atuação do cooperado na sociedade, inclusive no exercício consciente e autônomo do voto.
Cooperar também é exercer cidadania e isso também se pratica na hora de votar.
Kedson Macedo
Apaixonado pelo Cooperativismo e pelo Brasil























