O lançamento do programa Move Brasil marca um ponto de inflexão para o setor de transporte rodoviário de cargas,. E promete modernizar uma das frotas mais antigas do mundo, além de alinhar o país às metas globais de sustentabilidade. Serão R$ 10 bilhões em crédito, operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Assim, a iniciativa busca transformar a eficiência logística nacional, reduzindo juros e incentivando a renovação tecnológica.
De acordo com Roberta Caldas, presidente do Conselho de Administração da Transpocred, o programa é uma ferramenta estratégica de fortalecimento setorial. Caldas destaca que o cooperativismo de crédito é o elo essencial para que esses recursos federais cheguem, de fato, à ponta da cadeia. “O cooperativismo atua como um canal estratégico para que essas linhas cheguem às empresas de forma mais próxima e orientada”, avalia.
O mecanismo por trás do Programa Move Brasil
O programa foi dese visa enfrentar a retração do mercado de pesados e a obsolescência da frota nacional. Do montante total de R$ 10 bilhões, o governo reservou uma cota exclusiva de R$ 1 bilhão para caminhoneiros autônomos e cooperados, segmento que historicamente encontra maiores barreiras de acesso ao crédito.
As condições financeiras são um dos principais atrativos:
- Taxas de Juros: Reduzidas para o patamar de 13% a 14% ao ano, representando quase a metade das taxas praticadas anteriormente, que oscilavam entre 22% e 25%.
- Prazos e Carência: O financiamento pode ser quitado em até 60 meses, com uma carência de até 6 meses para o início dos pagamentos.
- Limites: Cada beneficiário (por CNPJ raiz) pode acessar até R$ 50 milhões em crédito.
A Transpocred, especializada no segmento de transporte e logística, já disponibiliza essa linha aos seus associados. Segundo Roberta Caldas, a proximidade com o cooperado permite garantir que o investimento seja feito com planejamento. “Linhas de crédito atrativas precisam caminhar junto com organização financeira e decisões bem fundamentadas”, ressalta a executiva.
O que é a contrapartida do desmonte?
Um dos pilares inovadores do programa Move Brasil é o incentivo à economia circular por meio da reciclagem de veículos. Para usufruir de condições ainda mais vantajosas, o transportador pode entregar seu caminhão antigo para desmonte.
Para ser elegível, o veículo entregue deve ter mais de 20 anos de emplacamento original, estar em condições de rodagem e possuir licenciamento regular a partir de 2024. O beneficiário deve se comprometer a apresentar, em até 180 dias, a certidão de baixa definitiva do registro e a nota fiscal de entrada na empresa de desmontagem. O objetivo é retirar de circulação caminhões que poluem até 40 vezes mais que os modelos modernos.
Qual é a criítica da FENAUTO?
Apesar do entusiasmo da indústria e das cooperativas, o programa enfrenta críticas quanto à sua operacionalidade. Everton Fernandes, presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (FENAUTO), alerta que muitos motoristas autônomos ainda podem ter dificuldades para acessar o crédito devido à burocracia na comprovação de renda em bancos públicos.
Além disso, representantes do setor apontam que, embora o Move Brasil alivie pressões de curto prazo, o problema estrutural da elevada carga tributária sobre veículos pesados no Brasil — que chega a 44% — permanece como um desafio para a competitividade perene do setor.
Para Roberta Caldas, contudo, o papel das cooperativas como a Transpocred é justamente mitigar essas dificuldades burocráticas, oferecendo uma solução direcionada. “Somos uma cooperativa que conhece a realidade do setor e consegue oferecer esse tipo de solução de forma alinhada às necessidades de cada operação”, conclui a presidente.




























