O cooperativismo brasileiro começou 2026 com atenção redobrada ao mercado de seguros. Desde a sanção da Lei Complementar 213/2025, o setor passou a contar com uma base legal mais ampla para atuar nesse segmento. E o tema permaneceu entre as prioridades da representação institucional do Sistema OCB neste ano. Em 17 de março de 2026, a Agenda Institucional do Cooperativismo reforçou a regulamentação das cooperativas em áreas como seguros como uma das pautas estratégicas do movimento. Já em 26 de março de 2026, a Susep informou que encaminhou ao Conselho Nacional de Seguros Privados propostas normativas relacionadas, entre outros temas, às sociedades cooperativas de seguros.
Nesse ambiente, a Seguros Unimed, braço segurador e financeiro do Sistema Unimed, anunciou a inclusão do produto Vida Individual no Aggilizador, plataforma de multicálculo da Agger by Dimensa. O objetivo é ampliar o acesso dos corretores ao portfólio da companhia, dando mais autonomia e mais agilidade à jornada de cotação. Em outras palavras, a seguradora busca estar exatamente onde o corretor já opera no dia a dia.
O movimento tem peso comercial e também simbólico. Comercial, porque a Agger informa ter mais de 16 mil clientes em todo o país e realizar mais de 1,1 milhão de cotações por mês. Simbólico, porque mostra que, enquanto a regulamentação do cooperativismo de seguros avança, empresas ligadas ao ecossistema cooperativista já aceleram sua presença em plataformas digitais de distribuição.
Vida Individual reforça proteção em vida e amplia conveniência para o corretor
Segundo as informações divulgadas pela companhia, o seguro Vida Individual foi desenhado com foco na proteção em vida. Entre as coberturas citadas estão doenças graves e diária de internação hospitalar, além de benefícios sem custo adicional, como orientação financeira, orientação à vida saudável e telemedicina. Trata-se, portanto, de um produto que tenta combinar proteção securitária com serviços de apoio, algo cada vez mais valorizado pelo consumidor.
Além disso, todas as cotações realizadas pela Seguros Unimed dentro da Agger ficam integradas ao Calcule+, ferramenta digital desenvolvida pela própria seguradora para os corretores parceiros. Na prática, essa integração reforça a aposta em tecnologia para reduzir atritos operacionais, acelerar respostas e facilitar a rotina de quem está na ponta da distribuição.
Para Rodrigo Aguiar, superintendente Comercial e Produtos da Seguros Unimed, o Vida Individual é um produto estratégico e com foco na proteção em vida. Segundo o executivo, estar na Agger representa um passo importante para oferecer soluções mais ágeis e alinhadas às demandas dos corretores, ao mesmo tempo em que amplia a presença da marca no ambiente em que esses profissionais já trabalham.
O que essa movimentação sinaliza para o cooperativismo
A notícia interessa ao cooperativismo porque revela uma tendência maior: o novo ramo de seguros não deve se desenvolver apenas pela via regulatória. Ele também dependerá de capilaridade comercial, infraestrutura tecnológica, governança e presença nos canais de distribuição. E é exatamente aí que anúncios como esse ganham relevância.
A própria OCB já destacou que a criação do Ramo Seguros abre às cooperativas brasileiras acesso a um mercado expressivo. Em conteúdo publicado pela organização, o cooperativismo afirmou que a LC 213/2025 inaugurou uma nova fase para o setor, ampliando a possibilidade de atuação das cooperativas no mercado de seguros privados. Luis Felipe Bezerra e Ronise Fiqueiredo comentam sobre isso no artigo “Lei Complementar 213 de 2025: O Marco Legal Que Define O Futuro Das Cooperativas De Seguros no Brasil”.
Ao mesmo tempo, os números mais recentes da Susep ajudam a dimensionar o tamanho dessa oportunidade. O órgão informou, em fevereiro de 2026, que o setor supervisionado arrecadou R$ 415,09 bilhões em 2025. Nos seguros de danos e pessoas, excluindo VGBL, as receitas chegaram a R$ 223,30 bilhões, enquanto o seguro de vida cresceu 12,70% no ano. Esses dados indicam que o cooperativismo entra em um segmento já robusto, competitivo e com demanda relevante.
Entre a regulação e o mercado, 2026 tende a ser um ano de posicionamento
O avanço regulatório continua sendo decisivo. A Susep deixou claro, em comunicado publicado em 26 de março de 2026, que os encaminhamentos feitos ao CNSP representam mais uma etapa no processo de regulamentação das cooperativas de seguros. Portanto, ainda há um caminho normativo a ser consolidado.
Mesmo assim, o mercado já se mexe. E esse talvez seja o ponto central da notícia: o cooperativismo de seguros começa a ganhar forma não apenas nos textos legais. A nova lei atua na prática comercial, na tecnologia e na ocupação de espaços estratégicos de distribuição. Como numa nova avenida que acaba de ser aberta, quem chega cedo tende a entender melhor o fluxo, testar rotas e conquistar vantagem competitiva.
No caso da Seguros Unimed, a entrada do Vida Individual no multicálculo da Agger reforça essa leitura. A empresa amplia visibilidade junto aos corretores, melhora a experiência de cotação e se posiciona em um momento em que o cooperativismo brasileiro observa, com atenção crescente, os próximos passos do novo ramo de seguros.
FAQ
A lei ampliou a participação das cooperativas no mercado de seguros. Além disso, abriu uma nova fase regulatória para o setor, com desdobramentos acompanhados pela OCB e pela Susep.
O que a Seguros Unimed anunciou?
A inclusão do produto Vida Individual no Aggilizador, plataforma de multicálculo da Agger by Dimensa, para ampliar autonomia e agilidade ao corretor.
Por que isso importa para o cooperativismo?
Porque mostra que o novo ramo de seguros já começa a se estruturar também pela frente comercial e digital, e não apenas pela regulamentação.
O mercado é relevante?
Sim. A Susep informou que o setor supervisionado arrecadou R$ 415,09 bilhões em 2025, com crescimento do seguro de vida no período




























