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Home Cooperativismo

Cooperativismo defende debate amplo sobre jornada 6×1 e vê tecnologia como caminho para adaptação

BR Cooperativo De BR Cooperativo
26/06/2026
Reading Time: 12 mins read
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Escala 6X1

Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP), recebe representantes do setor produtivo que sugerem debate sobre a escala de trabalho 6x1. A principal reivindicação é que a discussão seja feita de maneira técnica, de preferência após o período eleitoral O tema está em discussão na Câmara dos Deputados. Além de substituir a escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso) pela 5x2 (cinco dias trabalhados e dois consecutivos de repouso), as proposições reduzem a jornada máxima semanal, atualmente de 44 horas. Participam: presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Ricardo Alban,; presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp, Paulo Skaf; presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP); senador Rogerio Marinho (PL-RN); senadora Tereza Cristina (PP-MS); senador Carlos Portinho (PL-RJ). Foto: Pedro Gontijo/Agência Senado

A proposta de mudança constitucional que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal entrou no centro da agenda trabalhista nacional e passou a mobilizar também o cooperativismo brasileiro. O tema, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e segue para análise do Senado, tem impacto direto sobre setores intensivos em mão de obra, entre eles cooperativas de produção, trabalho, transporte, saúde, varejo, serviços e agroindústria.

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No Sistema OCB, a avaliação é de que a discussão precisa ser feita com responsabilidade, escuta institucional e análise técnica. Em boletim trabalhista e sindical divulgado em junho, a entidade informou que acompanha a tramitação das propostas “com protagonismo” e defende “a importância de um debate amplo e responsável sobre a temática”.

A posição se aproxima de um dos princípios mais presentes no cooperativismo: a valorização do diálogo. No mesmo boletim, ao comentar os debates da 114ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada pela Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, o Sistema OCB destacou o papel do diálogo social, do tripartismo e da negociação coletiva como instrumentos para enfrentar os desafios do mundo do trabalho.

Na prática, a entidade busca acompanhar a evolução das propostas sem desconsiderar a complexidade do tema. De um lado, trabalhadores e entidades sindicais defendem jornadas mais equilibradas, maior qualidade de vida e redução do desgaste físico e mental. De outro, organizações produtivas alertam para os impactos sobre custos, escalas, produtividade, atendimento ao público e sustentabilidade econômica.

O que está em discussão no Congresso

A principal proposta em debate é a PEC 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Segundo o boletim do Sistema OCB, o texto aprovado na Câmara prevê redução da carga horária semanal sem redução de salários, com transição para chegar às 40 horas semanais.

A escala 6×1, comum em atividades que funcionam aos fins de semana e feriados, permite seis dias de trabalho para um dia de descanso. A mudança para um modelo com dois dias de descanso por semana exigiria reorganização das escalas, especialmente em setores que operam de forma contínua.

Também tramita no Senado a PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho. A proposta ficou conhecida como PEC do Trabalho Flexível e permite ao empregado optar entre o regime tradicional da CLT e um regime flexível baseado em horas efetivamente trabalhadas.

Entre os pontos destacados pelo Sistema OCB estão a possibilidade de remuneração proporcional com preservação de direitos, acordos diretos sobre jornada e compensação de horas, além de maior flexibilidade para trabalhadores que buscam conciliar múltiplas atividades.

Para o cooperativismo, a questão central está no equilíbrio. A mudança da jornada pode representar ganho social para trabalhadores, mas também exige adaptação operacional, previsibilidade regulatória e cuidado com a realidade de cada ramo econômico. Em cooperativas, o desafio ganha contornos próprios, já que muitas organizações combinam relação associativa, prestação de serviços, emprego formal, sazonalidade produtiva e forte presença regional.

CNI pede cautela e vê risco de aumento de custos

A Confederação Nacional da Indústria entrou no debate com posição crítica à pressa na tramitação. O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que mudanças dessa dimensão precisam de análise técnica e participação de todos os envolvidos.

“Mudanças dessa magnitude exigem debate amplo, técnico e responsável”, destacou Alban.

Segundo ele, não deve haver pressa do Senado para discutir a PEC 221/2019. A CNI avalia que o tema precisa ser discutido “à exaustão”, com participação de trabalhadores, empregadores e poder público.

Mas a preocupação central da indústria está no impacto econômico. Estimativas da CNI indicam que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, associada ao fim da escala 6×1, pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267 bilhões por ano, um aumento de até 7%.

A entidade também apoia a PEC 12/2026, que propõe a flexibilização das relações laborais por meio da autonomia de escolha. Essa proposta recebeu apoio de cerca de 3 mil entidades empresariais, incluindo a própria CNI.

No entendimento da indústria, a imposição de uma escala única pode desconsiderar diferenças setoriais. Atividades como comércio, indústria, transporte, saúde, alimentação, turismo e serviços têm rotinas distintas, o que torna a adaptação mais complexa.

Tecnologia entra como resposta à pressão sobre produtividade

Além do debate legislativo, a possível mudança na jornada já provoca uma segunda discussão: como empresas e cooperativas podem manter produtividade, atendimento e rentabilidade em um cenário de menor carga horária semanal?

Nesse ponto, automação, inteligência artificial e digitalização de processos surgem como tendências fortes. Grandes redes varejistas, bancos, supermercados e empresas de serviços já ampliam investimentos em autoatendimento, integração de sistemas, inteligência operacional e agentes de IA.

Para João Almeida, Head de Negócios da SH Squads, o fim da escala 6×1 tende a acelerar uma transformação que já estava em curso.

“O principal movimento que se observa não é necessariamente a substituição de pessoas, mas a necessidade de as empresas crescerem sem ampliar seus custos na mesma proporção”, afirma Almeida.

Segundo ele, em um cenário de pressão sobre margens, aumento de despesas trabalhistas e necessidade de ganho de produtividade, a automação e os agentes de IA passam a funcionar como instrumentos de proteção de caixa e eficiência operacional.

A tecnologia, nesse contexto, deixa de ser apenas um recurso de inovação e passa a ser uma ferramenta de gestão. Processos como atendimento ao cliente, cobrança, conciliação financeira, análise documental, suporte interno, monitoramento de operações e rotinas administrativas podem ser automatizados parcial ou integralmente.

“Quando uma organização consegue automatizar atividades como atendimento ao cliente, cobrança, conciliação financeira, análise documental, suporte interno ou processos administrativos, ela protege sua margem operacional”, explica Almeida.

PMEs e cooperativas também entram na corrida da IA

Embora grandes empresas liderem parte dos investimentos em transformação digital, pequenos e médios negócios também começam a buscar soluções mais acessíveis. Esse movimento interessa diretamente ao cooperativismo, já que muitas cooperativas reúnem pequenos produtores, profissionais autônomos, transportadores, empreendedores locais e empresas de menor porte.

De acordo com levantamento citado pela SH Squads, 58% das empresas paulistanas ainda não utilizam inteligência artificial em suas operações. Entre micro, pequenas e médias empresas, o percentual sobe para 62,4%. Ao mesmo tempo, 57% dos empresários demonstram interesse em conhecer melhor a tecnologia e suas aplicações práticas.

Para Almeida, a inteligência artificial entrou em uma nova fase, mais próxima das necessidades cotidianas das organizações. Antes, viam a automação como algo restrito a grandes corporações. Agora, os agentes de IA permitem que pequenos e médios negócios automatizem processos com investimentos mais acessíveis.

“Automação era vista como algo acessível apenas às grandes corporações. Hoje, os agentes de IA permitem que pequenas e médias empresas automatizem processos inteiros com investimentos muito mais acessíveis”, afirma.

Nas cooperativas, esse avanço pode apoiar áreas como atendimento ao cooperado, gestão financeira, análise de documentos, crédito, logística, suporte técnico, comunicação interna, relacionamento comercial e organização de escalas.

Operações híbridas devem ganhar espaço

A tendência apontada por especialistas não é a substituição integral de trabalhadores, mas a formação de operações híbridas, com profissionais e sistemas inteligentes atuando lado a lado.

“A tendência é a formação de operações híbridas, nas quais profissionais e agentes de IA trabalham lado a lado. As empresas que conseguirem integrar essas capacidades terão ganhos importantes de produtividade, escala e competitividade”, avalia Almeida.

Bruno Cardoso, CTO da SH Squads, reforça que o debate sobre inteligência artificial costuma partir de uma premissa equivocada: a de que a tecnologia existe apenas para substituir pessoas.

“Toda grande evolução tecnológica eliminou determinadas tarefas, mas aumentou a importância das pessoas capazes de tomar decisões, resolver problemas e criar valor. Com IA acontece a mesma coisa”, afirma Cardoso.

Para ele, o maior impacto dos agentes inteligentes está na automação do trabalho operacional e repetitivo. Atividades previsíveis, burocráticas e de baixo valor agregado podem ser transferidas para sistemas, enquanto as equipes humanas passam a atuar em decisões, exceções, relacionamento e estratégia.

“O ganho mais relevante não está em fazer o mesmo com menos pessoas, mas em fazer muito mais com as mesmas pessoas”, conclui.

Cooperativismo pode transformar desafio em agenda de inovação

Para o cooperativismo, a discussão sobre a jornada 6×1 não se limita à legislação trabalhista. Ela se conecta a temas como produtividade, saúde mental, negociação coletiva, organização do trabalho, competitividade e inovação.

O próprio boletim do Sistema OCB chama atenção para a atualização da NR-1, que tornou obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos. Desde maio, empresas e cooperativas devem avaliar, prevenir e monitorar situações como estresse, burnout e assédio no ambiente de trabalho.

Essa agenda dialoga diretamente com o debate sobre jornada. Afinal, a redução do tempo de trabalho costuma ser defendida como medida de qualidade de vida, mas sua implementação exige planejamento para evitar sobrecarga, intensificação do ritmo de trabalho ou perda de capacidade operacional.

Situação das cooperativas

Nesse cenário, as cooperativas podem atuar em três frentes. A primeira é institucional, acompanhando a tramitação no Congresso e defendendo segurança jurídica. A segunda é negocial, fortalecendo acordos coletivos e soluções adaptadas à realidade de cada ramo. A terceira é tecnológica, investindo em automação, capacitação digital e inteligência artificial para ganhar produtividade sem abandonar os princípios cooperativistas.

Mas o desfecho da proposta ainda depende do Senado. Até lá, a pergunta que mobiliza o setor produtivo não é apenas se a escala 6×1 será encerrada, mas como cada organização vai se preparar para uma nova lógica de trabalho.

Para o cooperativismo, a resposta passa por diálogo, responsabilidade e inovação. A jornada pode mudar. Porém, a necessidade de produzir, atender, competir e cuidar das pessoas continuará no centro da gestão.

FAQ — Cooperativismo, escala 6×1 e tecnologia

O que é a proposta de fim da escala 6×1?

A proposta de fim da escala 6×1 busca mudar o modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. A discussão no Congresso envolve a redução da jornada semanal, hoje limitada a 44 horas, com transição para 40 horas semanais e sem redução salarial, conforme prevê a PEC 221/2019.

Como o cooperativismo vê a proposta de redução da jornada de trabalho?

O cooperativismo defende que a proposta seja debatida de forma ampla, técnica e responsável. O Sistema OCB acompanha a tramitação das propostas no Congresso e ressalta a importância do diálogo social, da negociação coletiva e da segurança jurídica para cooperativas, trabalhadores e setores produtivos.

Por que a mudança na escala 6×1 preocupa cooperativas e empresas?

A mudança preocupa porque pode aumentar custos, exigir novas contratações, alterar escalas de trabalho e impactar a produtividade. Setores que funcionam todos os dias, como saúde, transporte, varejo, serviços, agroindústria e atendimento ao público, precisariam reorganizar equipes e processos para manter a operação.

Qual é a posição da CNI sobre o fim da escala 6×1?

A Confederação Nacional da Indústria defende cautela e aprofundamento do debate. Para a CNI, mudanças nas relações de trabalho exigem análise técnica, participação de trabalhadores, empregadores e poder público. A entidade estima que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 podem elevar os custos do trabalho formal em até R$ 267 bilhões por ano.

Como a tecnologia pode ajudar empresas e cooperativas diante da nova jornada?

A tecnologia pode ajudar por meio da automação de tarefas repetitivas, uso de inteligência artificial, digitalização de processos e melhoria da gestão operacional. Ferramentas como agentes de IA, autoatendimento, conciliação financeira automatizada e análise documental podem aumentar a produtividade sem ampliar os custos na mesma proporção.

Rótulo de origem Proposta que reduz jornada e acaba com a escala 6x1 mobiliza o Sistema OCB, preocupa a indústria e acelera a discussão sobre automação, inteligência artificial e novos modelos de organização do trabalho
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