Quem vai cuidar dos idosos em um Brasil que envelhece rapidamente? A pergunta dá o tom da estreia do Clube da Longevidade, novo quadro do programa CoopCafé, disponível no canal do Portal BR Cooperativo no YouTube.
A primeira edição recebe Rosa Maria dos Santos, presidente da Coopidade, Cooperativa dos Cuidadores de Idosos, em uma conversa que ultrapassa o debate sobre assistência à terceira idade. Afinal, o crescimento da longevidade envolve saúde, renda, mercado de trabalho, qualificação profissional, relações familiares, políticas públicas e, sobretudo, novas formas de organizar o cuidado.
Ao lado dos apresentadores Claudio Montenegro, Claudio Rangel e do comentarista Newton Parahyba, Rosa Maria apresenta a experiência acumulada durante décadas de atuação com pessoas idosas e explica como o cooperativismo pode contribuir para uma das transformações sociais mais importantes das próximas décadas.
Assista ao Clube da Longevidade no YouTube
Brasil envelhece e precisa discutir quem vai cuidar
O debate lançado pelo programa CoopCafé acompanha uma mudança que já aparece nos números oficiais. Segundo o Censo Demográfico 2022, o Brasil tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, correspondentes a 15,8% da população. Além disso, esse contingente cresceu significativamente em relação ao levantamento realizado em 2010.
No Rio de Janeiro, sede da Coopidade, a questão ganha ainda mais relevância. O estado estava entre os mais envelhecidos do país no Censo 2022: 18,8% de sua população tinha 60 anos ou mais.
Portanto, o assunto não está restrito ao futuro. A longevidade já exige respostas no presente.
Durante a entrevista, os participantes discutem justamente se o Brasil desenvolveu estruturas suficientes para acompanhar essa mudança demográfica. Saúde, aposentadoria, renda, transporte, assistência social e disponibilidade de profissionais preparados aparecem entre os principais desafios.
Coopidade nasceu quando pouco se falava em cuidador de idosos
Um dos momentos centrais do programa começa quando Rosa Maria conta a história da Coopidade.
A cooperativa surgiu há cerca de 26 anos, período em que a atividade de cuidador de idosos ainda tinha pouca visibilidade. Muitas famílias atribuíam o cuidado a parentes ou trabalhadores domésticos que, frequentemente, precisavam dividir a atenção ao idoso com diversas outras tarefas.
Foi nesse contexto que profissionais ligados à área de saúde perceberam a necessidade de preparar pessoas especificamente para o atendimento da população idosa.
Rosa Maria, que é sócia-fundadora da cooperativa, relata que a orientação para estruturar a organização veio com apoio do sistema cooperativista. A partir daí, a Coopidade passou também a investir na capacitação de cuidadores.
Cuidador de idosos exige formação, ética e responsabilidade
A entrevista mostra que cuidar vai muito além de acompanhar uma pessoa durante algumas horas.
Rosa chama atenção para a necessidade de formação profissional, comportamento ético, responsabilidade e conhecimento das condições que podem acompanhar o envelhecimento.
O assunto ganha ainda mais importância quando entram em pauta as demências, especialmente a doença de Alzheimer.
No vídeo, Rosa utiliza situações vividas durante sua trajetória profissional para explicar como alterações de memória podem mudar o comportamento da pessoa idosa. Em um dos exemplos, ela aborda a dificuldade de pacientes que esquecem que já fizeram determinada refeição. Em outro momento, relata como fotografias antigas podem despertar memórias que permanecem preservadas.
São passagens que transformam a entrevista em mais do que uma discussão institucional. O público também encontra experiências práticas de quem trabalha diretamente com o cuidado.
Saber ouvir também faz parte do cuidado
Outro ponto destacado pela presidente da Coopidade é aparentemente simples, mas fundamental: saber ouvir.
A repetição de histórias, as lembranças do passado e as dificuldades de memória podem exigir paciência de familiares e profissionais.
Por isso, Rosa defende que o cuidador compreenda o comportamento do idoso em vez de simplesmente confrontá-lo. Além disso, ressalta a necessidade de preservar, sempre que possível, sua autonomia.
Essa diferença aparece em uma das definições mais interessantes da entrevista: existe o cuidador que faz algo “para” a pessoa e aquele que faz “com” ela.
Enquanto houver condições, auxiliar o idoso a executar suas próprias atividades também significa preservar independência, autoestima e qualidade de vida.
Inteligência artificial vai substituir o cuidador?
A conversa também chega a um dos assuntos mais atuais do mercado de trabalho: a inteligência artificial.
Se diversas profissões serão transformadas pela tecnologia, o cuidado apresenta uma característica particular. Máquinas podem auxiliar processos, monitorar informações e automatizar tarefas. Entretanto, atenção, presença, escuta e vínculo humano permanecem componentes essenciais dessa atividade.
Por isso, os participantes levantam outra questão: o cuidador de idosos pode se tornar uma das profissões mais importantes do futuro?
A demanda já apresenta sinais de crescimento. Reportagem publicada em 2026 pela Exame destaca a expansão das carreiras ligadas ao cuidado diante do envelhecimento da população brasileira.
Cooperativismo pode ajudar a construir soluções para a longevidade
Ao trazer a Coopidade para a estreia do quadro, o CoopCafé insere o cooperativismo dentro de um debate que tende a ocupar espaço crescente na sociedade.
Cooperativas podem contribuir não apenas na prestação de serviços. Também podem atuar na formação profissional, geração de trabalho e renda, organização de redes de atendimento, prevenção e criação de soluções coletivas para famílias e pessoas idosas.
Durante o programa, a discussão alcança ainda os fundos destinados às políticas para idosos, a necessidade de continuidade dos projetos sociais e a importância da participação da sociedade na construção dessas iniciativas.
Rosa Maria alerta, inclusive, que ações relacionadas à terceira idade não podem existir apenas como estratégia eventual de divulgação institucional. Na sua avaliação, projetos voltados à longevidade precisam ter continuidade.
O que é o Clube da Longevidade?
O Clube da Longevidade é um novo quadro do CoopCafé criado para ampliar a discussão sobre os desafios e as oportunidades relacionados à população com mais de 60 anos.
A proposta é abordar temas como saúde, finanças, trabalho, cultura, entretenimento, turismo, qualidade de vida e políticas públicas, aproximando especialistas, organizações e experiências que possam contribuir para um envelhecimento mais saudável.
A estreia mostra que assunto não vai faltar.
Entre demografia, saúde mental, Alzheimer, formação de cuidadores, autonomia, inteligência artificial e relações entre diferentes gerações, o primeiro programa apresenta diferentes dimensões de uma questão que, cedo ou tarde, alcança praticamente todas as famílias.
Por que assistir à entrevista com Rosa Maria dos Santos?
Porque falar sobre longevidade significa também discutir como queremos envelhecer e que sociedade estamos construindo para quem já chegou à terceira idade.
A experiência de Rosa Maria e da Coopidade demonstra que o cuidado exige preparação, mas também valores difíceis de ensinar apenas por meio de manuais: respeito, ética, paciência, escuta e carinho.
E a mensagem que encerra a conversa talvez resuma o espírito do novo quadro: tecnologia e conhecimento avançam, mas não podem fazer a sociedade esquecer a pessoa humana.
Assista à estreia do Clube da Longevidade, conheça a experiência da Coopidade e participe desse debate no canal do Portal BR Cooperativo.
Assista ao vídeo: Quem vai cuidar dos idosos em um Brasil que envelhece cada vez mais?
O Clube da Longevidade é um quadro do programa CoopCafé criado para debater saúde, trabalho, finanças, qualidade de vida, cultura e políticas públicas relacionadas ao envelhecimento da população.
O envelhecimento da população aumenta a necessidade de profissionais capacitados para auxiliar idosos e suas famílias em atividades diárias, saúde, mobilidade e preservação da autonomia.

























