O crédito imobiliário voltou ao centro da dinâmica do mercado habitacional brasileiro em 2025. O principal motor dessa retomada foi o programa Minha Casa, Minha Vida. Ao todo foram responsáveis por 52% dos lançamentos e 49% das vendas no quarto trimestre do ano passado. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), responsáveis pelo setor, os números confirmam o peso crescente do crédito direcionado na sustentação da demanda por moradia no país.
Esse movimento ganhou novo impulso em 24 de março de 2026. Foi quando o Conselho Curador do FGTS aprovou a ampliação das faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida. Outro fator foi o aumento do teto do valor dos imóveis enquadrados nas faixas 3 e 4. Pelas novas regras aprovadas, a faixa 1 passa a atender famílias com renda de até R$ 3.200 por mês. Inclusive, a faixa 2 sobe para R$ 5 mil; a faixa 3 vai para R$ 9.600. E a faixa 4, voltada à classe média, passa de R$ 12 mil para R$ 13 mil.
Também foram elevados os tetos dos imóveis financiáveis: de R$ 350 mil para R$ 400 mil na faixa 3 e de R$ 500 mil para R$ 600 mil na faixa 4. Segundo o Ministério das Cidades, a medida deve beneficiar ao menos 87,5 mil famílias com redução de juros e ampliação da capacidade de financiamento.
Crédito imobiliário na Viacredi
Inserida nesse cenário de expansão, a Viacredi, cooperativa do Sistema Ailos, registrou crescimento de 47% na carteira de crédito imobiliário em 2025. O avanço acompanha a retomada do mercado, mas chama atenção pelo desempenho das linhas subsidiadas, especialmente Minha Casa, Minha Vida e Pró-Cotista, que vêm ampliando o acesso ao financiamento para famílias que antes encontravam mais barreiras para comprar o primeiro imóvel.
Segundo informações divulgadas pela cooperativa, ao fim de 2025 as linhas Minha Casa, Minha Vida e Pró-Cotista somavam R$ 217,2 milhões em carteira, o equivalente a 24% da carteira de crédito imobiliário. No mesmo período, a Viacredi liberou mais de R$ 335 milhões nessas modalidades, que responderam por 31% do total concedido no ano.
De acordo com a cooperativa, o perfil que mais cresceu foi o de cooperados em busca do primeiro imóvel. A combinação entre taxas mais acessíveis, subsídios públicos e análise individualizada de crédito ajudou a transformar a intenção de compra em contratação efetiva. Em vez de um atendimento padronizado, a instituição afirma adotar avaliação mais personalizada, inclusive considerando outras fontes de renda além da folha de pagamento, o que amplia o alcance do financiamento.
Orientação para o cooperado
Esse diferencial aparece também nas condições operacionais. Na página de crédito imobiliário, a Viacredi informa que trabalha com financiamento de até 90% do valor do imóvel e prazos de até 35 anos para pagamento, tanto em linhas ligadas ao Minha Casa, Minha Vida quanto em outras modalidades compatíveis com o perfil do cooperado.
Outro vetor importante para o crescimento, segundo a cooperativa, foi o reforço da parceria com imobiliárias credenciadas. Em 2025, essa rede respondeu por 44% das concessões nas linhas Minha Casa, Minha Vida e Pró-Cotista. Na prática, isso significa mais orientação para o cooperado, mais clareza sobre documentação e enquadramento, e menos risco de frustração ao longo do processo.
Expectativa para 2026
Para 2026, a expectativa é de continuidade desse avanço. A Viacredi projeta disponibilizar mais de R$ 300 milhões em recursos para crédito imobiliário. Desses, R$ 200 milhões serão direcionados especificamente às linhas Minha Casa, Minha Vida e Pró-Cotista. A perspectiva acompanha o ambiente de maior abertura ao financiamento habitacional e reforça o papel do cooperativismo de crédito como canal de inclusão financeira e acesso à casa própria.
A leitura que se impõe é direta: quando o mercado retoma fôlego e os programas habitacionais ampliam alcance, as cooperativas tendem a ocupar um espaço estratégico. Afinal, não se trata apenas de liberar crédito. Trata-se de combinar orientação, taxa mais justa e análise aderente à realidade de cada família. Assim, em um país onde comprar a casa própria ainda é um desafio para milhões de brasileiros. Esse modelo ajuda a transformar financiamento em oportunidade concreta.




























