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Home Cooperativismo

Redução da jornada 6×1 preocupa cooperativismo e pode elevar custos em até R$ 267 bilhões

BR Cooperativo De BR Cooperativo
01/03/2026
Reading Time: 6 mins read
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Redução da Joffnada 6x1

A possível redução da jornada 6×1, com mudanças na escala semanal e diminuição do limite constitucional de 44 para 40 ou até 36 horas, reacendeu um debate que ultrapassa o campo trabalhista e atinge diretamente o cooperativismo, o agronegócio e a indústria nacional.

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Enquanto o Congresso discute a proposta sob o argumento de modernização social, lideranças cooperativistas e entidades empresariais pedem cautela e estudos técnicos aprofundados. O temor é claro: aumento de custos, perda de competitividade internacional e avanço da informalidade.

Cooperativismo agropecuário vê risco estrutural

O presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), Vanir Zanatta, manifestou preocupação com os impactos da medida sobre o setor agropecuário, especialmente nas cooperativas que operam em regime contínuo.

De acordo com ele, a redução da jornada sem redução proporcional de salários pode elevar o custo da hora trabalhada e gerar efeitos em cadeia na economia.

Vanir Zanatta
Foto 01 – Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), Vanir Zanatta ( Foto MB Comunicação).

“A redução da carga horária semanal de trabalho sem análise dos seus impactos nas diversas áreas da economia pode inviabilizar setores sensíveis”, alerta Zanatta.

No agronegócio, a lógica operacional não segue o relógio urbano. Pecuária leiteira, avicultura e suinocultura exigem manejo diário, inclusive aos fins de semana e feriados. Lavouras dependem de janelas climáticas específicas para plantio e colheita.

Em Santa Catarina, onde o cooperativismo agropecuário é protagonista e o desemprego ficou em 2,3% no terceiro trimestre de 2025, (cenário próximo ao pleno emprego), o desafio adicional seria encontrar mão de obra para recompor jornadas.

Levantamento da OCESC aponta que, apenas nas cooperativas agropecuárias catarinenses, a redução para 40 horas semanais exigiria a contratação de 11.516 novos trabalhadores, com custo adicional estimado em R$ 69 milhões por mês.

A pergunta que ecoa no setor é direta: quem absorverá essa conta?

CNI projeta aumento de até R$ 267 bilhões ao ano com Jornada 6×1

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou estudo com projeções econômicas sobre a redução da jornada de trabalho. Para a entidade, a medida pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais. Isso significa um acréscimo estimado de até 7% na folha de pagamentos.

Assim sendo, o presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que o impacto não será homogêneo entre as regiões.

“Qualquer debate sobre a redução da jornada precisa ser conduzido com cautela. O impacto não será igual em todas as regiões, porque o Brasil tem realidades produtivas diferentes”, afirma Alban.

Impactos regionais estimados (cenário com horas extras):

  • Sul: até 8,1% de aumento nos custos
  • Sudeste: 7,3%
  • Nordeste: 6,1%
  • Norte e Centro-Oeste: 5,5%

Em valores absolutos, o Sudeste concentraria o maior impacto financeiro, com elevação estimada em até R$ 143,8 bilhões.

A CNI avaliou dois cenários:

  1. Compensação das horas reduzidas via horas extras.
  2. Reposição por meio da contratação de novos trabalhadores.

Mesmo no segundo cenário, considerado menos oneroso, o aumento percentual dos custos permanece significativo. Além disso, o estudo aponta que a recomposição integral das horas é “economicamente improvável e operacionalmente inviável” em diversos segmentos industriais.

Produtividade e informalidade entram no debate

Outro ponto levantado por lideranças do cooperativismo é o desempenho brasileiro no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Brasil ocupa a 94ª posição entre 184 países avaliados.

A média semanal trabalhada no país é de 38,9 horas, inferior à de 97 países do ranking.

Diante desse cenário, entidades empresariais alertam para um possível crescimento da informalidade. Certamente, se o custo do trabalho formal aumentar sem ganho equivalente de produtividade, parte das atividades pode migrar para relações informais.

No campo, isso representa risco adicional à seguridade do trabalhador rural e à estabilidade das cadeias produtivas.

Argentina segue caminho oposto

Enquanto o Brasil discute reduzir a jornada semanal, a Argentina aprovou recentemente a mais profunda reforma trabalhista em cinco décadas.

Entre as mudanças da redução da jornada 6×1 estão:

  • Ampliação da jornada diária de 8 para até 12 horas (mantendo 48 horas semanais);
  • Flexibilização de contratos;
  • Redução de encargos indenizatórios;
  • Simplificação da contratação formal.

A reforma foi aprovada por 135 votos a 115 na Câmara argentina e busca enfrentar um cenário de mais de 40% de informalidade no mercado de trabalho.

O contraste é evidente. Enquanto a Argentina aposta em flexibilização para aumentar competitividade, o Brasil avalia endurecer regras de jornada em setores que competem diretamente com os argentinos na exportação de soja, milho e carnes.

Em mercados de commodities, margens são estreitas. Diferenças de dois ou três pontos percentuais no custo operacional podem redefinir contratos internacionais.

Cooperativismo pede debate técnico e setorial

O cooperativismo agropecuário defende que mudanças na jornada podem ser discutidas, desde que fundamentadas em estudos técnicos e adaptadas às especificidades setoriais.

A proposta de alteração constitucional uniforme para todos os setores preocupa especialmente cooperativas agroindustriais, frigoríficos e estabelecimentos rurais que operam de forma ininterrupta.

Porém, para especialistas, se houver mudança, ela deve vir acompanhada de:

  • Transição gradual;
  • Diferenciação setorial;
  • Eventual desoneração da folha;
  • Mecanismos de compensação fiscal;
  • Fortalecimento da negociação coletiva.

Sem esses instrumentos, o risco apontado pelo setor inclui aumento de preços ao consumidor, perda de competitividade internacional e pressão inflacionária sobre alimentos básicos.

O que está em jogo na redução da jornada 6×1?

O debate sobre a jornada 6×1 deixou de ser apenas trabalhista. Ele toca diretamente a sustentabilidade do cooperativismo, a segurança alimentar, o superávit da balança comercial e a geração de emprego formal.

De acordo com as análises, a discussão que se impõe não é ideológica, mas estrutural:

Mas como equilibrar proteção social, competitividade internacional e realidades produtivas distintas em um país continental?

Em resumo, o cooperativismo brasileiro aguarda que a resposta venha acompanhada de dados, responsabilidade e visão estratégica de longo prazo.

Tags: agronegócioCNIcompetitividadecooperativismocusto Brasiljornada 6x1OCESCprodutividade Brasilredução da jornada de trabalhoreforma trabalhista Argentina
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Cobertura do coopeativimo brasileiro apuradas pela Redação do Portal BR Cooperativo. Sugestões de pauta para os e-mails redacao@brcooperativo.com.br e claudio.rangel@comunicoop.com.br.

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