O Agroleite 2026 encerrou sua programação técnica na sexta-feira, 7 de agosto, em Castro, no Paraná, colocando no centro do debate os rumos da economia brasileira e o papel estratégico do agronegócio no desenvolvimento do país. Durante o Fórum da Agricultura, especialistas analisaram questões relacionadas à produtividade, cenário macroeconômico, políticas públicas, tecnologia, geopolítica e mudanças climáticas.
O encontro reuniu Fernando Schüler, professor do Insper e especialista em políticas públicas, e Maurício Une, economista-chefe do Rabobank para a América do Sul. Enquanto Schüler abordou os dilemas e as perspectivas do Brasil, Une analisou a macroeconomia e seus impactos sobre o agronegócio brasileiro.
Produtividade mostra diferentes realidades do Brasil
Na palestra “Brasil: dilemas e perspectivas”, Fernando Schüler destacou os contrastes existentes na economia brasileira. Segundo ele, apesar dos problemas estruturais, alguns setores demonstram elevada capacidade de competir no mercado internacional. Entre eles está justamente o agronegócio.
O professor citou como exemplos o desempenho brasileiro nas cadeias de carnes e soja. Ao mesmo tempo, chamou atenção para os resultados alcançados pela pecuária leiteira de Castro e municípios próximos, uma das principais regiões produtoras de leite do país.
De acordo com Schüler, enquanto a média brasileira de produção estaria próxima de seis litros de leite por animal ao dia, propriedades da região alcançam produtividade próxima dos 40 litros.
“O Brasil é um país de contrastes. É possível ser otimista, dependendo do setor. Olhando para o futuro, acho que o Brasil tem um enorme potencial. Na área do agronegócio, temos muita terra, água, mercados para conquistar e muito espaço para crescer em produtividade”, afirmou.
Assim, para o especialista, ampliar a produtividade será um dos caminhos para que o Brasil transforme suas vantagens naturais em crescimento econômico e maior competitividade.
Agroleite evidencia força do cooperativismo
Schüler também apontou o próprio Agroleite como exemplo da capacidade de organização e inovação do setor produtivo brasileiro.
Realizado em uma região fortemente marcada pela presença das cooperativas agropecuárias, o evento reúne produtores rurais, empresas, instituições financeiras, pesquisadores, fornecedores de tecnologia e outros integrantes da cadeia do leite.
“Aqui você tem um showroom de empresas, um showroom de tecnologia. Isso mostra exatamente um Brasil focado em produtividade, feito pelo setor privado e, na minha visão, do melhor jeito, que é o modelo cooperativo”, declarou o professor.
Dessa forma, tecnologia, organização produtiva e cooperativismo aparecem como elementos capazes de acelerar ganhos de eficiência, compartilhar conhecimento e ampliar a competitividade das propriedades rurais.
Agronegócio sustenta superávit comercial brasileiro
Na segunda palestra do Fórum da Agricultura, Maurício Une apresentou uma análise do cenário macroeconômico e da influência do agronegócio sobre a economia nacional.
Para o economista-chefe do Rabobank para a América do Sul, o setor exerce papel especialmente importante na geração de divisas e no resultado da balança comercial brasileira.
“O agronegócio é o setor mais produtivo da economia brasileira. Sem o agro, o Brasil estaria em uma situação muito difícil, inclusive com relação ao fluxo de dólares. O agro brasileiro é responsável pelo superávit da balança comercial, e isso traz uma tranquilidade bastante grande para o restante do país”, explicou.
A exportação de produtos agrícolas e agroindustriais, portanto, contribui para a entrada de moeda estrangeira e para o equilíbrio das contas externas brasileiras.
Economia, geopolítica e clima desafiam o produtor
Entretanto, o desempenho do agronegócio nos próximos anos não dependerá apenas da capacidade produtiva dentro das propriedades.
Maurício Une destacou que fatores econômicos e políticos, bem como questões geopolíticas e climáticas, podem influenciar diretamente a atividade.
Mudanças no comércio internacional, oscilações de moedas e juros, conflitos entre países, custos de produção e eventos climáticos extremos estão entre os elementos que produtores, cooperativas e empresas precisam acompanhar cada vez mais de perto.
Nesse contexto, eventos como o Agroleite ganham importância ao aproximar diferentes integrantes da cadeia produtiva e permitir a troca de informações sobre mercados, tecnologia e estratégias para enfrentar esses desafios.
Fórum da Agricultura encerra programação técnica
Com os debates sobre macroeconomia, políticas públicas, produtividade, tecnologia e competitividade, o Fórum da Agricultura encerrou a programação técnica do Agroleite 2026.
Ao longo do encontro, uma mensagem esteve presente nas análises dos especialistas: o Brasil possui condições naturais e produtivas para ampliar sua participação no mercado mundial, mas esse avanço dependerá, entre outros fatores, de ganhos constantes de produtividade, inovação, organização empresarial e capacidade de adaptação aos novos cenários econômicos.
Em Castro, onde uma cadeia leiteira altamente tecnificada convive com uma forte presença do cooperativismo, esse modelo pôde ser observado na prática durante o Agroleite.
Debate do Fórum
Qual foi o principal debate do Fórum da Agricultura no Agroleite 2026?
O Fórum da Agricultura discutiu os desafios econômicos do Brasil e o papel do agronegócio no desenvolvimento do país. Fernando Schüler destacou produtividade, tecnologia e cooperativismo como vantagens competitivas, enquanto Maurício Une ressaltou a importância do agro para o superávit da balança comercial e a entrada de dólares na economia brasileira.
Por que o cooperativismo foi destacado no Agroleite 2026?
O modelo cooperativo foi citado como uma das estruturas que favorecem organização, tecnologia, ganho de escala, produtividade e competitividade dos produtores. A região de Castro, no Paraná, é uma referência na produção leiteira e possui forte presença de cooperativas agropecuárias.
Qual é a importância do agronegócio para a economia brasileira?
Além de produzir alimentos e gerar empregos, o agronegócio possui forte participação nas exportações brasileiras. Dessa forma, contribui para o superávit comercial e para a entrada de moeda estrangeira no país.




























